Gestão da Incompetência: Como fazer?

Muito se fala de gestão por competência, é a nova moda por aí: como podemos extrair o suco dos nossos empregados/colaboradores/servidores? Como podemos otimizar as posições das pessoas dentro da empresa? No entanto, o que ninguém tem se perguntado é: o que fazer com o bagaço, ou a incompetência, dentro das organizações.

Longe de falar mal ou retirar a importância da gestão por competências, a minha intenção é reafirmá-la pelo seu inverso: a incompetência.

Laurence J. Peter em 1969 colocou na obra “The Peter Principle” a ideia chamada de princípio de Peter, ou princípio da incompetência:

“num sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até o seu nível de incompetência”.

O que Peter quis dizer é que, normalmente, nas organizações as pessoas são promovidas até atingirem um grau que não conseguirão superar justamente por serem incompetentes em exercerem aquela função. Esse princípio acaba explicando, ou pelo menos oferecendo uma hipótese plausível, pela qual muitas vezes acabamos tendo chefes ruins e empregados ineficientes.

Outros estudos, bem mais recentes, acabaram confirmando o princípio como A. King em 2004 que constatou que nas instituições burocráticas as pessoas são promovidas até seu nível de incompetência e ali permanecem, raramente ascendendo de função. Indicou ainda que o fenômeno não é exclusivo de órgãos governamentais, atingindo também as grandes empresas dos EUA e, em menor grau, as pequenas empresas.

Longe de ser uma teoria completa que explica o posicionamento das pessoas dentro de uma organização, o princípio se revela útil para a adoção de medidas capazes de minimizar a incompetência: como os sistemas de promoção horizontal em que pessoas competentes em algumas áreas teriam oportunidade de melhorar suas habilidades, sem a necessidade de se posicionarem com funções as quais não poderiam desempenhar com qualidade.

Em tempos de crises, como as que temos vivido, de baixa produtividade e ineficiência dos serviços públicos, talvez seja hora de revisitarmos esse princípio.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.