Mudanças

Eu mudo de ideia constantemente e sinto nisso um alívio maravilhoso, como tirar um sapato apertado depois de um dia inteiro fingindo conforto. A gente cresce ouvindo que mudar é fraqueza, que coerência é repetir a mesma coisa até o fim da vida, mesmo quando a realidade já desmentiu tudo. Eles adoram isso, gente previsível, cabeça engessada, fácil de conduzir.

Mas eu gosto do incômodo.

Mudar de ideia exige encarar o próprio erro, olhar para o mundo de novo e admitir que ele não cabe nas certezas antigas. Dá trabalho, mexe com o orgulho, bagunça as convicções que a gente usava como abrigo. Só que tem uma coisa aí que ninguém fala muito: mudar de ideia é também um gesto de autonomia. Eu não sou refém do que eu pensei ontem.

E isso liberta.

Porque cada mudança abre espaço para enxergar melhor, para ajustar rota, para não ficar preso numa versão ultrapassada de si mesmo. Eu prefiro essa instabilidade viva do que a rigidez confortável que só serve para manter tudo exatamente como está. Se a realidade muda o tempo todo, eu mudo junto.

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